Acusado De Morte Em Viamão Guardava Notícias De Crimes Passionais
Postado em 14/05/2010 às 12:45 por Paulo Alves - aprovado por Paulo Alves - Enviar por E-mail
Acusado de ser o mandante do assassinato da vendedora Jacqueline Subtil, 19, em um ponto de ônibus de Viamão (região metropolitana de Porto Alegre), o zelador José Erni Nunes da Rosa, 36, guardava em casa recortes de jornais e revistas com reportagens sobre crimes passionais.
Em uma revista onde havia uma reportagem especial sobre assassinatos de mulheres por seus companheiros e que continha fotos das vítimas, Rosa chegou a fazer uma montagem, colando uma fotografia de Subtil entre elas e redigindo uma legenda abaixo sobre a "morte" da jovem, antes de o crime de fato ocorrer.
Para o chefe de investigações da 1ª Delegacia de Viamão, Adalmiro Alano, as provas mostram, de forma clara, que o crime foi premeditado.
O chefe do Núcleo Forense do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, Antônio de Pádua Serafim, diz que, em casos de amor não correspondidos, como o de Rosa pela jovem, pode surgir um sentimento de rejeição muito intenso.
"A rejeição pode levar à fantasia da eliminação da pessoa amada, que foi representada pela foto nas revistas. O problema é quando a eliminação vai além da fantasia e o agressor parte para a prática", afirma o psicólogo.
Carência
O psiquiatra e psicanalista David Levisky, professor da Sociedade Brasileira de Psicanálise em São Paulo, diz que o indivíduo que passa a viver em um "estado apaixonado permanente" pode perder a percepção da realidade, o que contribui para desfechos violentos.
"[Existe] uma carência muito grande na busca por uma figura idealizada", afirma. "E quando isso não corresponde, [o indivíduo pensa:] você me desprezou, então não merece viver."
O sobrinho do zelador, Daniel Israel da Rosa, 27, acusado de ter efetuado os tiros contra Subtil, ainda está foragido. Outras duas pessoas ficaram feridas na ação. De acordo com a polícia, ele tem antecedentes criminais.
O zelador, que foi apontado no dia do crime como o autor dos disparos e passou cerca de 16 horas sob o cerco da polícia na igreja em que trabalha, em Alvorada, está preso em Porto Alegre.
A reportagem não conseguiu localizar advogados dos dois acusados.

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